sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

QUEM TEM MEDO DA CONCORRÊNCIA...

 

Vamos falar de patrimonio histórico, mas começamos pelo péssimo e  audacioso exemplo de prepotência que vemos estes dias.

TRUMP, com o seu poder dá um exemplo bem claro disso com seu modo de querer governar o mundo, enquanto outros potentes...calam. 

Alguns estudiosos afirmam que o fascismo serve de base para esse posicionamento outros porém preferem termos como populista autoritário ou nacionalista de extrema-direita. Tem aqueles  que sugerem que o fenômeno Trump é uma nova forma de autoritarismo do século XXI, que opera através de medidas de exceção dentro do sistema democrático, em vez de um golpe de Estado totalitário clássico...

Baseados nos exemplos do século XX alguns acadêmicos e críticos traçaram paralelos entre Trump e o fascismo mas não obtiveram um consenso a respeito do rótulo "fascista" mesmo se existe um amplo conhecimento de suas tendências autoritárias  semelhantes aquelas de ideologias fascistas. O respeito às leis pelos fascistas é caracterizado por um uso instrumental e autoritário do ordenamento jurídico, e devemos estar atentos a isso, quando acontece.

Existem porém outros métodos para obter resultados indignos, basta ser importante em algum setor da sociedade. Isso existe seja no ramo indústrial, comercial que intelectual. Vemos, de maneira oculta, dissimulada ou fraudulenta, de qualquer modo, desonesta, inclusive entre intelectuais, escritores, professores e equivalentes, por exemplo, que uma guerra em situações menos  importantes, não é menos sutil. 

Aqui, na gestão do patrimônio, entra, sub-repticiamente,  a prepotência copiada da Trump que aproveita o "poder" que tem no momento para "chantagear "os outros.

Um exemplo na nossa realidade: no início   do século XXI, Landi tinha se transformado num assunto capaz de proporcionar prestígio e regalias dentro das universidade, como títulos, bolsas de estudo e viagens. Logo, apareceram os “donos do assunto Landi”, como costuma ocorrer quando alguém descobre um rico campo de pesquisa entre os acadêmicos...  Neste ninho das vaidades e ambições, tinha quem continuava trabalhando, sozinha e obtendo resultados no exterior.

Quem em Belém ousou escrever e publicar algo sobre Landi, começou a ser ...evitado e ignorado. Esse terreno já tinha dono. Em vez de agregar conhecimentos e pesquisadores,  marginalizavam os concorrentes e suas pesquisas... e ninguem ousou fazer nada contra isso, aliás se aproveitavam obtendo favores. 

Os politicos que se sucederam em Belém, não melhoraram essa tendência. Pouco a pouco Landi foi deixado de lado e  agora tem gente se preocupando com prédios interessantes que não foram tombados enquanto outros aproveitam para comprar o que podem na Cidade   Velha e Campina. A gentrificação é evidente, mas quem a decidiu?

Aqui, temos gente que calou ao ponto  de permitir que chegassemos a esse comportamento prepotente que ignora a defesa do nosso patrimônio. Dificil mudar essa realidade de um dia para o outro. Interessante dar uma olhada nesta nota  cuja data não conhecemos: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_bens_tombados_em_Bel%C3%A9m

Quem reclama da situação do nosso patrimônio hoje, será que frequenta o Auto do Cirio, o Arraial do Pavulagem, o festival Psica, ou o carnaval na praça do Carmo? Sabem que as autorizações dadas a esses eventos  não respeitam o Código de Postura e nem o Estatuto da Cidade? Isso já leva os prédios no entorno dessas manifestações a sofrerem com a trepidação provocada pela poluição sonora.  Os defensores do patrimônio onde se  encontram em tais ocasiões... e os funcionários públicos o que fazem? Quem sustenta toda essa prepotência? Quem deve aplicar e fazer respeitar as leis?

Os danos provocados pela poluição sonora são considerados crime, mas, como é que são autorizados e mais ainda, como é que o povo frequenta em massa? As leis não devem ser conhecidas e respeitadas por todos? Mas, quem são esses “todos” ? e a 'midia' enaltecendo esse modo de "defender" nossa... cultura. Notamos que até quem se considera um democrata... copia os fascistas. Depois ouvimos respostas tipo: mas  eu sou Master, eu sou PHD... como se esses titulos te dessem o direito de ignorar o sentido das palavras usadas nas leis. É claro que tem muita gente que não está cumprindo o seu dever. O art. 81 do Código de Postura é um exemplo, totalmeente ignorado ha anos.

Agora que alguns cidadãos estão acordando, seria bom que se baseassem nas leis, para defender o patrimônio dos interesses carnavalescos, e respeita-las, por questão de coerência e democracia... diversamente do que fazem  por ai. Entre os membros dos Conselho  do Patrimônio, será que tem alguem formado em Direito?

TRUMP ensina: com prepotencia se obtem muito e nós, os ofendidos, os não fascistizados, não conseguimos nem propor, ao menos, uma Campanha durante o carnaval  para conscientizar TODOS, sobre a necessidade de preservação de bens assim como o uso correto de monumentos e a valorização de prédios históricos. ... em vez de ir festejar o próprio aniversário na porta de igrejas tombadas, desrespeitando as leis de salvaguarda, e inclusive pisoteando nossa memória histórica.


terça-feira, 20 de janeiro de 2026

A VERDADE QUE DOI.

 

Há 4 anos publiquei no meu face algo que é o caso de repropor...

Bom dia, Gente de bem de Belém ...O que sobrevive em NÓS, apesar dos avanços...

Escolhi algumas frases de um artigo bem cumprido que poucos vão ler, para pensarmos nessa realidade... Tentei reduzir ao máximo...

- Tem gente que está longe de ser algo surgido do nada ou brotado do chão pisoteado pela negação da política, alimentada nos anos que antecederam as eleições. Pelo contrário, estou cada vez mais convencido de que são uma expressão bastante fiel do brasileiro médio, um retrato do modo de pensar o mundo, a sociedade e a política que caracteriza o típico cidadão do nosso país.

- Na realidade o brasileiro é preconceituoso, violento, analfabeto (nas letras, na política, na ciência... em quase tudo). É racista, machista, autoritário, interesseiro, moralista, cínico, fofoqueiro, desonesto. De pouco adiantou os avanços civilizatórios que o mundo viveu, e que se materializaram em legislações, em políticas públicas (de inclusão, de combate ao racismo e ao machismo, de criminalização do preconceito), em diretrizes educacionais para escolas e universidades. ..

- Para eliminar valores arraigados, é preciso muito mais para mudar padrões culturais de comportamento. O machismo foi tornado crime, o que lhe reduz as manifestações públicas e abertas. Mas ele sobrevive no imaginário da população, no cotidiano da vida privada, nas relações afetivas e nos ambientes de trabalho, nas redes sociais, nos grupos de whatsapp, nas piadas diárias, nos comentários entre os amigos “de confiança”, nos pequenos grupos onde há certa garantia de que ninguém irá denunciá-lo.

- O que ocorre com o racismo, com o preconceito em relação aos pobres, aos nordestinos, aos homossexuais? Proibido de se manifestar, ele sobrevive internalizado, reprimido não por convicção decorrente de mudança cultural, mas por medo do flagrante que pode levar a punição. A definição do politicamente correto, por aqui, nunca foi expressão de conscientização, mas algo mal visto por “tolher a naturalidade do cotidiano”... e quando um sentimento humano é reprimido, ele é armazenado de algum modo. Ele se acumula, infla e, um dia, encontrará um modo de extravasar, e vemos isso por ai , a beça. (...)

NÃO RESISTO, O RESTO É TÃO VERDADEIRO QUE DOI... reproduzo por inteiro.

“Foi algo parecido que aconteceu com o “brasileiro médio”, com todos os seus preconceitos reprimidos e, a duras penas, escondidos, que viu em um candidato a Presidência da República essa possibilidade de extravasamento. Eis que ele tinha a possibilidade de escolher, como seu representante e líder máximo do país, alguém que podia ser e dizer tudo o que ele também pensa, mas que não pode expressar por ser um “cidadão comum”.

Agora esse “cidadão comum” tem voz. Ele de fato se sente representado pelo Presidente que ofende as mulheres, os homossexuais, os índios, os nordestinos. Ele tem a sensação de estar pessoalmente no poder quando vê o líder máximo da nação usar palavreado vulgar, frases mal formuladas, palavrões e ofensas para atacar quem pensa diferente. Ele se sente importante quando seu “mito” enaltece a ignorância, a falta de conhecimento, o senso comum e a violência verbal para difamar os cientistas, os professores, os artistas, os intelectuais, pois eles representam uma forma de ver o mundo que sua própria ignorância não permite compreender.

Esse cidadão se vê empoderado quando as lideranças políticas que ele elegeu negam os problemas ambientais, pois eles são anunciados por cientistas que ele próprio vê como inúteis e contrários às suas crenças religiosas. Sente um prazer profundo quando seu governante maior faz acusações moralistas contra desafetos, e quando prega a morte de “bandidos” e a destruição de todos os opositores.

Ao assistir o show de horrores diário produzido pelo “mito”, esse cidadão não é tocado pela aversão, pela vergonha alheia ou pela rejeição do que vê. Ao contrário, ele sente aflorar em si mesmo o Jair que vive dentro de cada um, que fala exatamente aquilo que ele próprio gostaria de dizer, que extravasa sua versão reprimida e escondida no submundo do seu eu mais profundo e mais verdadeiro.

O “brasileiro médio” não entende patavinas do sistema democrático e de como ele funciona, da independência e autonomia entre os poderes, da necessidade de isonomia do judiciário, da importância dos partidos políticos e do debate de ideias e projetos que é responsabilidade do Congresso Nacional. É essa ignorância política que lhe faz ter orgasmos quando o Presidente incentiva ataques ao Parlamento e ao STF, instâncias vistas pelo “cidadão comum” como lentas, burocráticas, corrompidas e desnecessárias. Destruí-las, portanto, em sua visão, não é ameaçar todo o sistema democrático, mas condição necessária para fazê-lo funcionar.

Esse brasileiro não vai pra rua para defender um governante lunático e medíocre; ele vai gritar para que sua própria mediocridade seja reconhecida e valorizada, e para sentir-se acolhido por outros lunáticos e medíocres que formam um exército de fantoches cuja força dá sustentação ao governo que o representa.

O “brasileiro médio” gosta de hierarquia, ama a autoridade e a família patriarcal, condena a homossexualidade, vê mulheres, negros e índios como inferiores e menos capazes, tem nojo de pobre, embora seja incapaz de perceber que é tão pobre quanto os que condena. Vê a pobreza e o desemprego dos outros como falta de fibra moral, mas percebe a própria miséria e falta de dinheiro como culpa dos outros e falta de oportunidade. Exige do governo benefícios de toda ordem que a lei lhe assegura, mas acha absurdo quando outros, principalmente mais pobres, têm o mesmo benefício.

Poucas vezes na nossa história o povo brasileiro esteve tão bem representado por seus governantes. Por isso não basta perguntar como é possível que um Presidente da República consiga ser tão indigno do cargo e ainda assim manter o apoio incondicional de um terço da população. A questão a ser respondida é: como milhões de brasileiros mantêm vivos padrões tão altos de mediocridade, intolerância, preconceito e falta de senso crítico ao ponto de sentirem-se representados por tal governo?

 

Ivann Lago

Professor e Doutor em Sociologia Política


domingo, 11 de janeiro de 2026

ANIVERSÁRIOS...


A propósito de aniversários da CIVVIVA recordamos que em março de 2012 pedimos a atenção de todos e fizemos um micro resumo daqueles primeiros anos de vida lembrando que a Associação CIVVIVA foi registrada dia 12/01/2007, em coincidência com o aniversário de Belém (https://civviva-cidadevelha-cidadeviva.blogspot.com/20).

De lá para cá, algo mudou, mas muita coisa ainda deixa a desejar nessa nossa caminhada verso a civilidade e o respeito das leis em  vigor.

Ao fundar a Associação de Moradores do bairro mais antigo de Belém, achavamos que a união das pessoas era um passo fundamental para o resgate da cidadania, viabilizando assim o convívio civilizado e uma vida mais prazerosa. Esta portanto foi a forma que encontramos de presentear o bairro cujas origens coincidem com a fundação da cidade em janeiro de 1616, numa tentativa de preservar suas qualidades e características históricas.

Era nossa ideia, com a fundação da Associação Cidade Velha-Cidade Viva (CiVViva), representar a comunidade do bairro, não apenas na reivindicação dos seus direitos de cidadãos mas também contribuir com a Administração Pública no sentido de defender esse Bairro, qual patrimônio histórico da Cidade de Belém. Nada feito.

Iniciamos cheios de brios. Acreditando na competência dos Órgãos Públicos, começamos a procurá-los pra resolver nossos problemas, cooperando com eles. Como as palavras podiam ser levadas pelo vento, passamos a escrever, também, assim tínhamos algo em mãos para provar nossos pedidos. De nada serviu.

Hoje temos dois blogs com notícias, quase que diárias das nossas lutas, onde pode-se inclusive notar o total desinteresse pelo resgate da nossa cidadania pela quantidade de"arquivamentos" feitos pelo Ministério Público. As vezes pensamos de não viver na mesma cidade... como eles não vêem o que denunciamos?

O pouco que obtivemos relativamente ao carnaval, vimos ir se perdendo a cada novo partido que governava a cidade, e hoje as leis foram totalmente debeladas. Nem parece que estamos numa Democracia.

Chovem a cântaros os abusos cometidos por administradores, sejam eles políticos, funcionários públicos ou até mesmo professores. As leis não são nem ao menos um “opcional”, o “letra morta”.

É realmente uma vergonha ler os atos autorizativos feitos sem que sejam nomeadas as leis a serem respeitadas dificultando assim a competência de quem deve fazer os controle  da atividade. Os eventos autorizados na área tombada não respeitam os artigos 63, 79, 80  e 81 do Código de Postura, nem quanto previsto, relativamente aos ruídos considerados prejudiciais à  saúde, pela Resolução n. 001/1990 do CONAMA. De fato a norma NBR 10.152  que estipula os valores em decibéis para vários tipos de ambientes não vemos ser aplicada, nem quanto previsto na Tabela 1 para ambientes externos... Respeito as normas, bem poucos.  

 Nas praças da área tombada onde encontramos as igrejas do arquiteto Landi da segunda metade dos anos 1700, essas normas serviriam para “salvaguardar, proteger e defender” nossa memória histórica como prevêem as leis relativas ao nosso patrimônio histórico. A lei n. 9605/98 dos crimes ambientais também prevê condutas consideradas crime contra o patrimônio cultural. Quem as vê aplicadas?

Então, se a trepidação é reconhecida como um dos motivos letais para pessoas pois pode causar diversos problemas de saúde graves e a coisas, como prédios também, exceções reativamente a produção de ruídos ao menos na área tombada não deveriam ser permitidas.

 

Ver no período do aniversário da cidade, até  pessoas que se dizem ser defensores do patrimônio organizarem manifestações ruidosas em frente e no entorno da nossa área tombada ou de prédios como oTeatro da Paz... nos parece não somente ridículo, mas inclusive danoso para a educação da nossa juventude pois incoerente com as leis em vigor numa sociedade que se crê democrática.


Reclamar porque derrubaram umas casas antigas destombadas é justo, mas no dia seguinte ir participar de eventos ruidosos que prejudicam nosso patrimônio com a trepidação...  é o máximo da incoerência.

 

NESTE ANIVERSÁRIO DE BELÉM E DA CIVVIVA,    CONTINUAMOS A PEDIR ATENÇÃO... E MAIS COERÊNCIA.



segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

"ME POUPEM"

 O aniversario de Belém se aproxima. Oportunamente o que podemos dizer de Belém???

- Que foi fundada em 1616;

- Que, redescoberta pelo Marques de Pombal em meados de 1700, tivemos o período das criações de Landi;

- Que, depois de tanta injustiça, prepotência, abusos, violência, injuria, vexação soprafação.., o povo se levantou e aconteceu a Cabanagem;

- Que, de desconhecida, veio a tona com o período da borracha;

- Que Lemos a transformou, embelezando-a;

- Que foi totalmente abandonada, depois da entrada da Inglaterra no Mercado do 'cauciu', borracha, hevea brasiliense;

- Que JK, com a abertura da BR316, tentou uni-la ao resto do Brasil;

- Que o "progresso" aproveitou para começar a destruir nosso patrimônio histórico;

- Que os azulejos da Cidade Velha começaram a desaparecer;

- Que o asfalto começou a cobrir nossos paralelepípedos em troca do aumento do calor;

- Que edifícios e farmácias começaram a substituír os casarões antigos;

- Que as calçadas de liós viraram estacionamento;

- Que o carnaval com bandinhas e mascarados, foi substituído com aquele baiano (trios elétricos e abadas);

- Que as cores tênues das casas foram substituídas com cores gritantes, salvando a memória sabe lá de quem;

- Que a poluição sonora se instalou na Cidade Velha, ajudando a destruir o que sobrou da nossa memória histórica;

- Que, além da UFPa, até as igrejas abusam com ruídos inclusive de  fogos barulhentos na área tombada;

- Que não existe fiscalização de obras, e que nem sempre são autorizadas e nem tem a placa que a lei exige;

- Que, sejam as leis que o sentido de muitas palavras da nossa lingua, são desconhecidos até pelos intelectuais;

- Que hoje voltou a tona nos jornais do mundo a causa da COP30 e...

- Que para tal ocasião a cidadania foi ignorada mais uma vez, no momento de decidir o que fazer para melhorar a cidade para a COP30. 

- Que quem infringe a lei é  chamado, segundo lemos na Internet,  de: delinquente, culpado, réu, bandido, celerado, criminoso, facínora, malfeitor, condenado, transgressor, facinoroso, infrator, pistoleiro...

Nessas alturas, qual desses termos usar para denominar quem ignora o art.81 do CÓDIGO DE POSTURA autorizando o que a lei não permite perto de qualquer tipo de igreja? 

ALÉM DO MAIS,  COMO PRETENDR FESTEJAR SEU ANIVERSÁRIO (rumorosamente) NA AREA TOMBADA DE BELÉM E SE CONSIDERAR UM DEFENSOR DO PATRIMÔNIO?... e depois, como um santo de pau oco,  nem dissimuladamente, reclamar dos estragos feitos por outros (vide  a derrubada dos casarões) como se a poluição sonora não ajudassse a destruir nosso patrimônio. 

 

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

... E A GEMINI FECHA O ARGUMENTO.

 

Estou longe de Belém, e como horário, adiantada de quatro horas. Após publicar as duas horas da manhã de Belém, no blog Laboratório de Democracia Urbana a nota que a IA fez após a publicação do meu livro, alguém que conta entre a nossa “intelighenzia” me mandou uma outra opinião, dizendo-me “avalie este resumo feito pela Gemini, a IA do Google”.

Eram umas sete horas da manhã daqui onde estou, quando descobri a existência de uma concorrente da IA, a qual fez um exame dos dois blogs da CIVVIVA. Acho que esse material produzido pela GEMINI vale a pena ser conhecido e, quem sabe até difundido entre quem não respeita a luta que a CIVVIVA faz em defesa, não somente, da  CIDADE VELHA.

Eis o que recebi:

"Aqui está um resumo dos textos publicados no blog Laboratório de Democracia Urbana  "Cidade Velha-Cidade Viva", organizados em ordem cronológica (do mais antigo para o mais recente), buscando preservar o estilo engajado, crítico e de cidadania ativa da autora.

O blog, focado na defesa da memória histórica e na luta contra o degrado urbano em Belém (especialmente na Cidade Velha), apresenta uma série de reflexões intensificadas pelo contexto da COP30 realizada na cidade em novembro de 2025.

Março de 2025

Ref.: Texto sobre a "Amigocracia" e o início das atividades (título inferido: "Como vai a Amigocracia?" e "Quando tudo começou...")

Os textos iniciais marcam o tom do blog, relembrando datas sombrias como o golpe de 64 para refletir sobre o presente. A autora discute a necessidade de uma gestão democrática e da participação popular efetiva, questionando o cumprimento das leis e o comportamento das autoridades, muitas vezes pautado por relações de "amigocracia" em detrimento do interesse público. É o ponto de partida para a observação crítica do que viria a ocorrer ao longo do ano.

02 de Novembro de 2025: DEPOIS DAS FESTAS...

Passadas as celebrações, a preocupação volta-se imediatamente para o saldo deixado na cidade: o patrimônio. A autora questiona quem autoriza a destruição e o desrespeito ao Código de Posturas, exigindo providências para que a festa não signifique a ruína da memória da Cidade Velha.

07 de Novembro de 2025: O NOVO TERMINAL DA TAMANDARÉ

Uma crítica direta e pontual sobre o novo terminal hidroviário na Cidade Velha. A indignação surge ao descobrir que a estrutura serve apenas ao município de Barcarena. O texto questiona a lógica excludente dessa obra: "Por que isso?", levantando a suspeita sobre quem realmente se aproveita dessas intervenções urbanas.

08 de Novembro de 2025: COLONIALISMO CULTURAL

Relato de uma participação em reunião da COP30 na UFPa. O sentimento descrito é de desorientação e não pertencimento ("não sei dizer exatamente onde me encontrava"), denunciando um processo de colonialismo cultural. A autora sugere que, mesmo dentro de casa, as decisões e os espaços parecem ter sido capturados por lógicas alheias à realidade local.

17 de Novembro de 2025: TURISMO PREDATÓRIO...

O texto faz um paralelo alarmante entre Belém e cidades históricas como Veneza e Atenas de trinta anos atrás. O foco é a denúncia da ganância e ambição que impulsionam um turismo desenfreado, capaz de descaracterizar e destruir a vida urbana local em nome do lucro rápido.

21 de Novembro de 2025: O QUE FICOU NA NOSSA MEMÓRIA...???

Com o fim da COP30, chega o momento do balanço. A autora ironiza a "mídia selvagem" e seus destaques sobre os inconvenientes do evento, mas a preocupação central é mais profunda: o que restou para a cidade? Há um temor de que o legado seja apenas de destruição ou de maquiagem, questionando se o trânsito e a vida da cidade sobreviveram ao impacto do evento global.

23 de Novembro de 2025: GESTÃO DEMOCRÁTICA (Participação da População)

O texto reafirma a missão do laboratório: o exercício incansável dos direitos de cidadania, mesmo (e principalmente) quando as leis são ignoradas. É um desabafo sobre a dificuldade de fazer valer a voz da população frente a uma gestão que muitas vezes atropela os processos participativos.

04 de Dezembro de 2025: QUANDO TUDO COMEÇOU...

Em tom de retrospectiva, o texto conecta o final do ano ao seu início (março), fechando o ciclo de 2025. Relembra-se que o "tudo de negativo" vivenciado tem raízes na falta de democracia e memória. O post serve como um lembrete de que a luta do Laboratório — constituído pela Civviva diante do aumento do degrado social e cultural — continua necessária para encontrar respostas e soluções para o bairro.

Resumo do Estilo: A autora escreve como uma cidadã ativa e vigilante, utilizando frequentemente a primeira pessoa do plural ("nós", "fomos nos informar") para denotar coletividade. Os textos são curtos, diretos e carregados de questionamentos retóricos às autoridades ("Quem autoriza?", "Por que isso?"), demonstrando um amor ferido pela Cidade Velha e uma desconfiança permanente em relação às grandes intervenções e eventos que ignoram. "

                                                                    xxx

Essa conclusão até me emocionou. De fato o desespero dos propietários e moradores desta area tombada é ver a gentrificação em ato, tentar modificar o que as leis, através das palavras "salvaguarda , defesa e proteção" da nossa memória histórica, tentaram evitar. É ver a poluição sonora ser incentivada por órgãos públicos, descaradamente. É ver instituições nascidas para educar os cidadãos, em vez, pisotearem as leis, como qualquer fascita o faz. É ver politicos virarem as costas à democracia, desenvolvendo algo que até  poderiamos chamar de...amigocracia.

Frente a essa realidade, como não desconfiar das surpresas que ainda podem...cometer?


domingo, 23 de novembro de 2025

QUEM DECIDE?

 

No exercício pleno de nossa cidadania, vimos com a presente nos manifestar  a respeito de notícias veiculadas na midia, sobre nova afetação de bens públicos como por exemplo da sede atual da Prefeitura Municipal de Belém, e do Palacete Pinho, além das ruínas do prédio que pertenceu à família Bechara Mattar incendiado há dezenas de anos, situado no entorno da Feliz Lusitânia e, portanto, provavelmente classificado como de interesse da administração pública e por isso deve sofrer limitação administrativa.

Nos casos acima citados, se fala em transformar, ao menos dois deles, em Centros de Cultura, e essa destinação (afetação) certamente não foi resultado de algum debate com os moradores da área em questão, apesar de várias leis determinarem a gestão democrática no momento da formulação/execução de planos ou projetos de desenvolvimento urbano.

Francamente, vista a presença de vários órgãos públicos no entorno de tais prédios, e a quantidade de veículos automotores de funcionários que ocupam, inclusive as calçadas de pedras de liós (tombadas pela SECULT), quem sabe, tratando-se de área tombada, fosse muito mais oportuno, no caso do edificio incendiado,  pensar num ESTACIONAMENTO vertical. Se evitaria inclusive a presença em frente às duas igrejas tombadas da Praça da Sé, de enormes ônibus de turismo ou carretas várias descarregando mercadorias.

A trepidação, não somente de origem sonora, causa problemas aos prédios da área tombada e tal opção poderia servir a descongestionar as ruas e calçadas dessa área e daria um ótimo exemplo de salvaguarda da nossa memória histórica.

Uma outra possibilidade é cuidar da saúde dos cidadãos de uma forma mais civilizada. Como a maior parte dos moradores da área em que se localizam esses prédios são pessoas idosas, acontece que muitas vezes, se encontram a fazer PILATES,  compartilhando espaço de clinicas ou academias com o funcionários dos órgãos públicos ali situados.  

Os anciães que frequentam tais locais,  sabem disso,  quem nos governa, em vez, informamos agora. Vista essa coincidência  de usuários, quem sabe fosse mais profícuo um outro uso,  mais salutar,  inclusive, do próximo prédio da ALEPA..., e deixar o Centro Cultural para o Palácio Antônio Lemos.

É o caso de lembrar que o canal da Tamandaré divide o bairro  em duas partes, e os moradores mais idosos, e com problemas nos  membros inferiores (compostos por: quadril, coxa, joelho, perna, incluindo a tíbia e fíbula, tornozelo e pé),  residem  na área tombada.

É importante, portanto,  levar em consideração seja a idade dos moradores do bairro que a falta de estacionamento na área tombada. Quem frequentaria todos esses centros culturais num raio de menos de 2km, chegaria a pé, de onibus ou de carro?

Parece um absurdo planejar atividades na área tombada ignorando a falta de estacionamento. A rua S.Boaventura não aguenta todos aqueles locais, com as respectivas clientelas motorizadas.  Uma audiência pública, antes de dar as autorizações, poderia ajudar a, democraticamente, tomar decisões no modo sugerido pelas leis em vigor. (*) 

Além do mais, correm vozes que uma proposta de  Plano Diretor tenha sido entregue para ser examinada, estabelecendo,  a priori, que não vale para a Cidade Velha... São advogados a fazer essa proposta? Desde quando isso é possivel? O Plano Diretor não deve valer para todo o territorio do Município?


Vamos começar a aplicar nossas leis com mais seriedade? 


(*)  https://laboratoriodemocraciaurbana.blogspot.com/2025/11/tentando-ajudar.html







quinta-feira, 20 de novembro de 2025

UMA OPINIÃO CONDIVIDIDA ...

 ... POR MUITOS DE NÓS.

 O PARAENSE SÓ QUERIA FAZER PARTE DA NAÇÃO.

O legado humano da COP30

Por Marcelo Botelho

Belém vive, neste momento histórico da COP30, algo muito maior do que debates, painéis, negociações e acordos ambientais. Vive um reencontro consigo mesma. Vive a revelação, diante do mundo e de muitos brasileiros, de uma identidade que sempre existiu, mas que agora é vista, sentida, celebrada e respeitada. O que está acontecendo na capital do Pará não pode ser explicado apenas pelo viés ambiental ou geopolítico. O maior legado da COP30 é humano — e ele está sendo construído nas ruas, nas feiras, nos mercados, nas orlas, nas chuvas, na música e no abraço caloroso do povo paraense.

Quem desembarca em Belém durante este período vive uma espécie de rito de passagem. Descobre que a Amazônia não é um conceito distante, exótico ou folclórico — é uma experiência. Uma turista asiática, encantada, se jogou no ritmo do carimbó em plena conferência. Um grupo de indonésios experimentou açaí com peixe na orla de Icoaraci, maravilhados com a autenticidade do sabor. Filipinos brindaram com uma Tijuca gelada na Praia do Amor, em Outeiro, como se fossem filhos da terra. Indianos celebraram o verde da cidade, tocaram a água e afirmaram que nunca viram nada igual. E estrangeiros de todas as partes se renderam ao queijo coalho de Outeiro por R$ 5,00, ao tecnomelody que virou febre entre delegações inteiras e ao “gringo no caqueado” que viraliza como símbolo desse encontro improvável de culturas.

Belém, nesses dias, não é apenas sede; é anfitriã. Não apenas recebe; envolve. Não apenas mostra; transforma. A cidade morena revela, sem pedir licença, a força de sua gastronomia, a potência de sua música, a espontaneidade do seu povo e a singularidade da sua relação com o clima, com a chuva, com o rio e com a vida cotidiana. Há relatos emocionados de motoristas de aplicativo que viram um árabe — descrito como um “sheik” — se comportar como criança ao sentir a chuva amazônica pela janela. Pais paraenses no exterior compartilham vídeos dos filhos conversando com estrangeiros em vários idiomas. Pesquisadores se surpreendem com as chuvas que, para nós, fazem parte do ciclo da vida. Belém está encantando o mundo com aquilo que sempre foi, mas que tantos insistiam em ignorar.

E talvez aqui esteja a parte mais importante desse legado: a desconstrução de preconceitos regionais que há muito tempo ferem o Norte do Brasil. Não raras vezes fomos reduzidos a caricaturas, a narrativas distorcidas, a estereótipos ultrapassados. Como já denunciava Milton Nascimento em “Notícias do Brasil”, o país por muito tempo olhou para o litoral e esqueceu o resto. Mas agora, diante dos olhos do planeta, Belém mostra que não é “terra de tupiniquins”, que não tem onças e índios desnudos nas ruas, que sua riqueza não está na ficção, mas na realidade viva de um povo que respira cultura, gastronomia, diversidade, fé e ancestralidade.

A auto-estima do povo paraense está em estado de graça. Não porque Belém virou cenário internacional — ela sempre mereceu ser. Mas porque, pela primeira vez, o Brasil inteiro vem observando isso. As redes sociais se encheram de depoimentos de orgulho, emoção e pertencimento. Pessoas comuns mostram o Ver-o-Peso fervendo, o tecnomelody arrastando multidões, o Carimbó unindo mundos, a chuva que vira espetáculo para estrangeiros. Debates sérios acontecem dentro da conferência, enquanto, do lado de fora, a Amazônia pulsa na música, na dança, nos sabores e na hospitalidade inacreditável de um povo que recebe com 35 graus de temperatura e 90 graus de calor humano.

E enquanto alguns tentam diminuir essa grandeza com ironias fáceis, críticas vazias ou comparações injustas, a verdade se impõe: os cães ladram enquanto a caravana passa. Belém segue, firme, mostrando ao planeta que não é apenas palco — é protagonista.

Esse movimento simbólico e afetivo ganhou ainda mais força com um gesto histórico:

Em homenagem à COP30, o IBGE lançou um mapa-múndi inédito colocando o Pará no centro do planeta.

Uma inversão cartográfica que, mais do que estética, é política, cultural e emocional.

Ao deslocar o eixo do mundo, o mapa reconhece algo que o paraense sempre soube: a Amazônia é essencial à vida no planeta, e Belém é sua porta de entrada.

É a confirmação visual de que o mundo finalmente está olhando para onde deveria ter olhado desde sempre.

E, no fundo, talvez tudo isso seja a realização tardia de um simples desejo cantado por Marcos Barata * do Mosaico de Ravena:

“O paraense só queria fzer parte da nação.”

Viva Belém.

Viva o Pará.

Viva a Amazônia.

Viva o Brasil.

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* EDMAR JUNIOR é o cantor e autor de BELÉM PARÁ BRASIL. 

A banda é MOSAICO DE RAVENA

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Dulce: Que bacana ler  isso... o resultado da COP30 não vai depender de nós, povo de Belém que, aos trancos e barrancos, fizemos a nossa parte.